28 de mai de 2015

O perigoso acomodamento dos espíritas

Se você compartilha alguma convivência com parte do movimento espírita, entenderá o que tentarei explicar aqui. Caso contrário, talvez seja uma - triste - surpresa para você. Para mim, quando comecei a me deparar com o que explanarei, também foi uma infeliz desilusão.

A ortodoxia religiosa tem tomado o pensamento de inúmeros religiosos que propagam a Doutrina dos Espíritos. Doutrina de quem? Dos espíritos. Vamos começar por aí: a doutrina não é minha, não é sua, não é de um espírito, é dos espíritos

Espíritos esclarecidos, acima do nosso nível de ignorância, que - entre eles Kardec, no plano físico - colaboraram para uma sólida base conhecida por livros imprescindíveis ao conhecimento espiritual - O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese. 

Seja porque o ser humano possui uma tendência à distorção da verdade, seja porque muitos de nós espíritas estivemos ardentemente envolvidos com a Igreja Católica nos séculos anteriores e trazemos muita intolerância, seja por outros motivos, a verdade é que o movimento espírita está esquecendo de Cristo e Kardec para dar lugar as suas mesquinhas interpretações.

Interpretação... um grande problema. Eu posso pegar a Bíblia, lê-la atentamente e usar trechos específicos para manipular crentes ingênuos, manobrando este trecho para a minha interpretação. Posso fazer isso - como fazem - com todos os outros livros religiosos. E fazem isso com Kardec. 

Não estou divagando, comprovo com exemplos: já vi diversos espíritas falando que banho de erva é bobagem e não tem nenhuma eficiência. De imediato vão se referir ao banho de erva como uma superstição, um amuleto (cruzes!), algo do gênero, o que objetivamente o Espiritismo desmitifica.

Mas esse espírita conhece as propriedades do perispírito? Sabe que uma erva também tem existência na dimensão espiritual (ou astral), que possui energia, que pode vir a ser curativa, entrando em contato com a matéria do perispírito (ou corpo astral)? O perispírito, em nós, seres distantes da perfeição, ainda é muito material. Seria mesmo uma superstição, um amuleto, ou eu estou interpretando errado?

Não, esse espírita não faz investigação alguma, discute retoricamente. Esqueceu Kardec, literalmente. Esse foi só um exemplo - há muitos outros. Chico Xavier sofreu forte rejeição por suas obras desbravadoras e inovadoras. Hoje, temos Robson Pinheiro em situação semelhante.

Outros querem abandonar o passe magnético, a água fluidificada, etc., dizendo que são exterioridades desnecessárias, que tudo que importa é o pensamento. De fato, o pensamento e a vivência evangélica são tudo. O próprio passe não tem efeito algum se a pessoa não aceita aquelas energias. Mas e o passe não ajuda melhorar o padrão vibratório, que por sua vez ajuda a pessoa a ter mais higiene mental?

Dar passe em uma pessoa não significa fazer por ela o que ela tem que fazer. É ajudá-la a melhorar. Outras exterioridades seguem o mesmo princípio: deixam você em melhor condição física, física-espiritual, espiritual, mental e energética, na medida do possível, mas jamais isentarão o esforço individual. Se você não precisa de nenhuma ajuda para se manter bem sempre é porque alcançou um estágio evolutivo avançado em relação às almas que estão no planeta Terra - não julgue, contudo, que todos estão nesse mesmo patamar.

Jesus e seus apóstolos praticavam a efetuação de passes. Se você quer contrariar Jesus, meu amigo, não há problema algum, somente não carregue com você a bandeira espírita. 

Espíritas! Nos lembremos do espírito investigador, criterioso e sem medo de enfrentar pré-conceitos: Allan Kardec fez um trabalho que podemos afirmar - sem medo de errar - inigualável. Ainda não vi nada parecido. 

Mesmo estudando o mundo espiritual por autores diversos, sérios e que sabiam o que estavam fazendo (a verdade não estaria só com um homem ou uma só vertente), indo a conhecimentos mais profundos, Allan Kardec está em um patamar diferente. Ele conseguiu levar o conhecimento espiritual às massas.

Antes, a espiritualidade era entendida por uma elite intelectual, até perseguida pelos ignorantes. Kardec tem o mérito de ter ajudado milhões de almas dos dois planos a compreenderem melhor o Universo e a vida espiritual. 

Mas não fez isso usando dogmas, preconceitos e acomodação. E nem esquecendo o Mestre dos Mestres: Jesus, o Cristo. Na mensagem de Cristo reside toda a verdade. Kardec a relembrou, a fez reviver.

E o Espiritismo deve continuar avançando - com o avanço do planeta há o avanço do Espiritismo. A estagnação não pertence a realidade espiritual. Os Espíritos progressivamente nos trarão, por mérito e esforço da humanidade, novas verdades e realidades espirituais, de acordo com nossa capacidade. Isso, claro, prescindi trabalho de nós encarnados.

Espíritas! Todos nós que nos comprometemos com a Doutrina dos Espíritos, tenhamos noção da responsabilidade que é falar em nome desta filosofia única na Terra. Coloquemos o devido equilíbrio no falar e no agir para não contaminarmos com a ignorância de nossos preconceitos e meias verdades a verdade do Espírito da Verdade.




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