30 de nov de 2013

O espírito e a depressão

Se O Livro dos Espíritos tivesse sido escrito nos últimos anos, com certeza constaria uma pergunta do Codificador aos Espíritos sobre a depressão. A depressão existe há muito tempo, mas é no presente que ela se consolida como a doença do século. Atinge pessoas de diferentes lugares, condições financeiras e estruturas familiares. Quem aparentemente tem tudo, quem aparentemente tem nada. Entretanto, deve-se observar que aspectos físicos são insuficientes para a compreensão da depressão, já que a mesma é uma doença da alma.

Joanna de Ângelis nos diz que ''a depressão é acompanhada, quase sempre, da perda da fé em si mesmo, nas demais pessoas e em Deus... Os postulados religiosos não conseguem permanecer gerando equilíbrio, porque se esfacelam ante as reações aflitivas do organismo físico. Não se acreditar capaz de reagir ao estado crepuscular, caracteriza a gravidade do transtorno emocional.'' O que caracteriza esta doença é justamente a perda de confiança, do acreditar - seja no que for. A vida se torna um bloco vazio sem motivo para ser preenchido, corroendo a cada instante com seus pensamentos inferiores.

Se analisarmos o aumento da depressão nos últimos anos, podemos fazer algumas observações. Em mundo que passa por transição, o questionamento da existência e os sintomas citados no parágrafo anterior podem voltar transformados para o bem, na certeza e esperança, com o vencimento da doença. Nos questionamos, entramos em fase de prejuízo mas buscamos a cura, e com ela crescemos espiritualmente. Infelizmente, a dor é, sim, um meio de evoluirmos, já que nem sempre aceitamos o modo do amor. Por isso, paradoxalmente dizendo, para muitos, a depressão é uma oportunidade de cura. Não que seja positiva, já que é resultado de más fatores pessoais.

Como deve proceder o tratamento para quem tem depressão? Joanne de Ângelis acrescenta que ''é de relevante importância para o enfermo considerar que não é doente, mas que se encontra em fase de doença, trabalhando-se sem autocomiseração, nem autopunição para reencontrar os objetivos da existência. Sem o esforço pessoal, mui dificilmente será encontrada uma fórmula ideal para o reequilíbrio [...] 

O encontro com a consciência, através de avaliação das possibilidades que se desenham para o ser, no seu processo evolutivo, tem valor primacial, porque liberta-o da fixação da ideia depressiva, da autocompaixão, facultando campo para a renovação mental e a ação construtora. Sem dúvida, uma bem orientada disciplina de movimentos corporais, revitalizando os anéis e proporcionando estímulos físicos, contribui de forma valiosa para a libertação dos miasmas que intoxicam os centros de força [...]

Seja, no entanto, qual for a problemática nessa área, a criação de uma psicosfera [ambiente] saudável em torno do paciente, a mudança de fatores psicossociais no lar e mesmo no ambiente de trabalho constituem valiosos recursos para a reconquista da saúde mental e emocional. O homem é a medida dos seus esforços e lutas interiores para o autocrescimento, para a aquisição das paisagens emocionais.''

A depressão é uma doença a ser vencida pelo espírito. Seja contando com ajuda médica, amigos ou quem for, mas essencialmente a si mesmo. É um trabalho pessoal, não individual. A luz que percorre os cosmos deve começar a se interiorizar em cada um de nós, isto é, devemos nos iluminar sempre para que a penumbra mental não nos leve correnteza abaixo no rio de nossas vidas, moldado pelo livre-arbítrio.

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